RJ estuda protocolo para orientar médicos na decisão de priorizar pacientes por vagas em UTI

RJ estuda protocolo para orientar médicos na decisão de priorizar pacientes por vagas em UTI

Um casal de idosos que estava internado há 11 dias com o novo coronavírus teve alta no dia 17 de abril no Hospital Municipal Carlos Tortelly, em Niterói (Foto: Jornal O Fluminense)

Secretaria e entidades médicas analisam critérios para ajudar na escolha de quem deve receber os recursos na luta contra a Covid-19; procedimento ainda não está em vigor

Por TV Globo:

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, em parceria com entidades médicas, estuda um protocolo para orientar médicos a decidir quais os pacientes com Covid-19 terão prioridade em caso de falta de leitos ou respiradores.

O protocolo cria uma avaliação de pacientes, que somarão notas de 0 a 24 pontos. Para definir a soma desses pontos, os médicos deverão considerar: funcionamento de órgãos (como pulmões, rins e coração) doenças preexistentes (diabetes, hipertensão e obesidade) idade (os mais novos têm prioridade) ordem de solicitação da vaga.

Segundo o protocolo, a pessoa que tiver mais pontos em seu prontuário irá para o final da fila de atendimento. Isso significa que as pessoas com o menor número de pontos, sem doenças preexistentes, por exemplo, vão ter mais chance de receber o tratamento necessário em caso de os médicos precisarem fazer a difícil escolha.
Como consequência, os pacientes que tiverem menos pontos vão ter mais chances de sobreviver em casos graves da doença.

A Secretaria de Saúde disse que o protocolo está sendo elaborado e explicou que procedimentos como esses foram adotados em vários países que enfrentaram a pandemia, como Estados Unidos e Espanha.

O protocolo ainda não está em vigor e está sendo avaliado pelo secretário de Saúde, Edmar Santos.

O documento foi feito pela Secretaria Estadual de Saúde em conjunto com o Cremerj, a Academia Nacional de Cuidados Paliativos, a Sociedades de Geriatria Bioética e Terapia Intensiva, entre outros órgãos.

Médicos contestam

Sérgio Rêgo, membro da Sociedade de Bioética contesta o critério. “Sim, a gente vai levar em consideração o estado clínico? Sem nenhuma dúvida. A gente vai levar em consideração a possibilidade de recuperação? Sem nenhuma dúvida. Mas a gente não pode assumir que o idoso, por exemplo, teria menos pontos por conta da sua idade. Diria assim, que todos têm o desejo de viver mais 20, 30 anos. Claro que os idosos têm menos possibilidade, mas esse não pode ser o critério determinante”.

Para Alexandre Telles, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, a proposta fere o princípio do Sistema Único de Saúde (SUS), de que todos devem receber o mesmo tratamento.

“O SUS, ele é estruturado em princípios como a integralidade, a equidade e a universalidade. Saúde, pela Constituição, é direto de todos e dever do estado. Então, todo brasileiro ele tem direito de se cuidado pelo sistema de saúde. E equidade é você dar mais para quem precisa de mais e dar menos a quem precisa de menos. A gente sabe que e à vida das pessoas não cabem protocolos, né? Existem outros parâmetros que a gente não consegue medir através de protocolo. Então, autonomia, resguardar a autonomia do profissional é muito importante.”

O Conselho Regional de Medicina, que participa do estudo, informou por nota que o protocolo não seria uma imposição, nem uma determinação, mas sim uma recomendação. E que é uma ferramenta extremamente útil levando-se em conta que médicos jovens, que estão na linha de frente do combate à Covid, não teriam ainda a “expertise, maturidade profissional, necessária para a tomada de decisão”. E que o documento precisa da aprovação dos 42 conselheiros do Cremerj.

Pandemia