Falha na testagem e rastreamento de contatos dificultou identificação de casos e interrupção das cadeias de transmissão da Covid na cidade do Rio

Falha na testagem e rastreamento de contatos dificultou identificação de casos e interrupção das cadeias de transmissão da Covid na cidade do Rio

Último boletim Covid-19 da Fiocruz traz análise da situação da pandemia no município, aponta a alta letalidade registrada e alerta para o crescimento exponencial de casos novamente

Nota Técnica do Observatório Covid-19 – Fiocruz traz as fases da pandemia na cidade do Rio de Janeiro descrevendo a evolução temporal da incidência e mortalidade no período de 06 de março de 2020 a 21 de agosto de 20211.

No dia 25/08, houve fila de ambulâncias no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, unidade de referência para o tratamento da Covid-19 no município do Rio (Foto: reprodução)

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A COVID-19 foi declarada Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) em 30 de janeiro e pandemia em 11 de março de 2020. Até 21 de agosto de 2021 foram quase 21 milhões de casos e 570 mil óbitos no Brasil. O Município do Rio de Janeiro (MRJ) confirmou mais de 430 mil casos e 31 mil óbitos nesse período 1. O primeiro caso de COVID-19 no município do Rio de Janeiro foi registrado em 6 de março de 2020, 11 dias após o primeiro caso do Brasil. Contudo, a série histórica destes dois indicadores (incidência e mortalidade) desde a confirmação do primeiro caso não foi estável, como podemos verificar nas figuras 1a e 1b. A série histórica de casos sugere ainda uma significativa subnotificação no início da pandemia e isso pode ser corroborado pela série histórica da letalidade (Figura 1c).

Vale mencionar que a letalidade no município do Rio de Janeiro é uma das mais altas do país, e não há razão para assumir que o SARS CoV-2 é mais letal na cidade. Portanto, este alto indicador representa que houve uma falha na testagem populacional e rastreamento de contatos, contribuindo tanto para a identificação de casos e o interrompimento das cadeias de transmissão. Adicionalmente, as internações seguem um padrão semelhante aos óbitos, com um pico importante na primeira fase da pandemia, em 2020, um ganho em valores absolutos ao final do ano e um novo aumento no mesmo período de explosão de casos e óbitos em abril de 2021, coincidindo com o colapso do sistema de saúde no Brasil. Por fim, é importante perceber que desde o início da observação da taxa de ocupação, em julho de 2020, o patamar sempre esteve entre alto (60% de taxa de ocupação) e muito alto (80%da taxa de ocupação), o que significa que há uma necessidade permanente de alerta para este indicador. As análises mais recentes aplicadas ao Brasil mostram um recuo no número absoluto de casos e óbitos no país 2.

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No entanto, a evolução dos casos no Município do Rio de Janeiro vai de encontro a este cenário, e os dados sugerem reversão da tendência de declínio. Algumas estimativas geradas por modelagem estatística, como é o caso dos resultados obtidos por nowcasting pelo InfoGripe, apontam, entretanto, uma interrupção de queda do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e sugere uma possível retomada do crescimento nas últimas semanas3. O município do Rio de Janeiro apresenta reversão da tendência de queda de casos, e o estado do Rio de Janeiro, por sua vez, apresenta oito municípios com taxa de ocupação de leitos de 1, reacendendo um sinal de alerta para a atual situação da pandemia na cidade.

É oportuno, então, verificar a série histórica, na tentativa de compreender a nova dinâmica que se anuncia, para que possamos prever cenários e adotar medidas adequadas e oportunas para impedir o crescimento sustentado de casos e, consequentemente, de mortes. Esta nota apresenta análises considerando o período entre a Semana Epidemiológica 10 de 2020, quando houve a notificação do primeiro caso no MRJ, e a Semana Epidemiológica 33 de 2021, que encerrou em 21 de agosto de 2021.

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Daniel Spirin Reynaldo/Ascom CES-RJ, com informações Fiocruz.

Boletim Covid Fiocruz