Fiocruz está mobilizada para defender mandato de Nísia Trindade, reeleita no último dia 19 de novembro

Fiocruz está mobilizada para defender mandato de Nísia Trindade, reeleita no último dia 19 de novembro

Nísia Trindade durante o Abrascão 2018 (Foto: Daniel Spirin)

São Paulo – O sindicato dos trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN) está mobilizado para defender a nomeação da atual presidente da instituição, Nísia Trindade, para um segundo mandato. Nísia, que é pesquisadora, obteve 87% dos votos na eleição encerrada no último dia 19 e por isso é o primeiro nome da lista tríplice que deverá entregar hoje (25) ao ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. Em segundo lugar ficou o coordenador de Vigilância e Laboratórios de Referência Rivaldo Venâncio da Cunha e em terceiro, o atual vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional, Mario Santos Moreira.

Na sequência o ministro Pazuello entregará a lista tríplice ao presidente Jair Bolsonaro, que fará a nomeação. Como tem se tornado comum Bolsonaro desprezar a escolha dos trabalhadores e nomear aqueles de sua preferência, que não estão na primeira colocação – e até mesmo fora da lista – para a reitoria de universidades federais, não é descartada a possibilidade de que o mesmo ocorra na Fiocruz.

Bravatas

“Estamos mobilizados para defender a democracia institucional e a vitória retumbante de Nísia devido à resposta à pandemia, obtida após amplo debate público e com forte apoio, até externo. A eleição, inclusive, foi acompanhada por observadores externos. Há ‘balão de ensaio’ e Bolsonaro pode querer tumultuar, vir com suas bravatas, mas estamos atentos”, disse à RBA Paulo Garrido, presidente da Asfoc-SN.

Garrido lembrou que alguns deputados aliados do governo tentaram politizar a eleição. Chegaram a se mobilizar por apoio ao analista de gestão Florio Polonini, que não obteve votos suficientes para ficar entre os três primeiros.

Eleição na Fiocruz

A eleição na Fiocruz desperta interesse especialmente por causa da ampliação de sua histórica importância para a saúde pública nacional. Desde o início da pandemia de covid-19, a instituição vinculada ao Ministério da Saúde saiu na dianteira em pesquisas sobre o tema. Foi em um de seus laboratórios em Manaus que os pesquisadores descobriram não haver benefícios do uso da cloroquina no tratamento da doença. Há ainda estudos para testes diagnósticos e vacinas, inclusive em parceria com o laborátório anglo-sueco AstraZeneca. Como autoridade de saúde, recomendou desde o início da pandemia o isolamento social e outras medidas preventivas, que se chocam com diretrizes do próprio governo.

A Fiocruz tem orçamento de quase R$ 4 bilhões para financiar pesquisas em dezesseis unidades espalhadas por diversos estados brasileiros, além da produção de vacinas e medicamentos em suas duas fábricas. Com a pandemia, a Fiocruz recebeu R$ 400 milhões para construir um hospital para vítimas da covid-19.

Em janeiro de 2017, o então ministro da Saúde Ricardo Barros – atual líder do governo Bolsonaro na Câmara – escolheu a segunda colocada, Tania Araújo-Jorge. A primeira era Nísia Trindade, que acabou nomeada devido a pressão de cientistas e parlamentares. Era a primeira vez que um governo quebrava a tradição do respeito à soberania do voto nas instituições com eleição direta para escolha de seus gestores.

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Via RBA

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