Chefes do Hospital Federal do Andaraí são transferidos e funcionários denunciam sucateamento

Foto: reprodução

Jornal O Dia

Rio – Profissionais do Hospital Federal do Andaraí (HFA) foram surpreendidos, nesta quarta-feira, com ofícios da Superintendência do Ministério da Saúde do Rio que determinou a transferência de cinco chefes de serviço, um anestesista e um cirurgião da emergência. Os profissionais são servidores efetivos e têm mais de 35 anos de serviço na unidade. Todos integram ou já integraram a Comissão de Ética Médica do hospital, eleita por seus pares, e que é responsável por fiscalizar as condições de atendimento à população.

“Somos nós que enviamos ofícios à Superintendência do Ministério da Saúde e ao Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), relatando precariedades no atendimento. Somos a liderança na hospital preocupada com a assistência à população e condições de trabalho”, relata o médico Silvino Frazão de Matos, chefe do Serviço de Oncologia do Andaraí, que atua no hospital há 48 anos.

“Entrei em contato com a unidade e lá me disseram que ainda terão que ver onde me encaixar, pois há oito médicos na oncologia do Servidores, não há carência por lá. Mas aqui, sim. Somos um serviço de Oncologia de portas abertas, e os pacientes que são regulados para cá esperam cerca 90 dias para a primeira consulta. Quando chegam, já não têm mais condição de fazer radioterapia devido ao estado avançado da doença”, diz Silvino.

Os profissionais alegam terem sido transferidos ex-ofício, sem possibilidade de contestação à medida. De acordo com eles, a justificativa de que a transferência seria para suprir as necessidades de outros hospitais não procede. Com 45 anos de atuação no Hospital do Andaraí, o médico Giovanni Antonio Marsico, chefe do Serviço de Cirurgia Tóraxica, está sendo transferido para o Hospital Federal Cardoso Fontes, onde, segundo relata, não há serviço de cirurgia de tórax.

“Isso é um absurdo. Fica claro que querem forçar nossa aposentadoria e, com isso, nos calar, pois a gente reclama constantemente sobre a falta de profissionais, medicamentos e infraestrutura inadequada. Nem no tempo da ditadura militar nós vimos esse tipo de desmandos. É como se dissessem: ‘vamos tirar esta turma daqui, que está enchendo o saco’. A gente não sabe qual é o plano em vista, mas existe sim a possibilidade de privatização, contra a qual iríamos nos opor”, afirma o médico Giovanni Antonio Marsico.

Transferido do Hospital do Andaraí, o anestesista Sidney Franklin de Sá, com 42 anos de atuação no hospital, chama atenção para as consequências negativas para o atendimento da população com as transferências.

“É um ataque técnico, um ataque ao SUS (Sistema Único de Saúde). Cinco dos transferidos são chefes de serviço, envolvidos diretamente na gestão. Além disso, são profissionais com elevado conhecimento, responsável pela formação dos residentes aqui no hospital. A população vai perder ainda mais em relação à assistência médica gratuita”, destaca o anestesista.

LISTA DOS REMOVIDOS

Os profissionais removidos do Hospital Federal do Andaraí são:

Roberto Portes – chefe do Serviço de Queimados e presidente do Corpo Clínico do hospital.

Sidney Franklin de Sá – anestesiologista e ex-membro da Diretoria Executiva do Corpo Clínico.

Glória Maria de Oliveira – chefe do Serviço de Clínica Médica.

Giovanni Antonio Marsico – chefe do Serviço de Cirurgia de Tórax.

Silvino Frazão de Matos – chefe do Serviço de Oncologia.

Waldyr Gomes da Costa Neto – médico cirurgião geral

Rosana Jesus Barreto de Moura – técnica de laboratório.

DÉFICIT DE PROFISSIONAIS

Segundo os profissionais do Hospital Federal do Andaraí, há carência de profissionais no setor de cirurgia toráxica, que conta com dois médicos, quando seriam necessários cinco, no mínimo. No centro cirúrgico, apenas cinco salas estão ativas de um total de nove. No setor de terapia intensiva, cinco leitos estão fechados por falta de médicos intensivistas. E a emergência funciona em instalações inadequadas. Além disso, só um profissional patologista no setor de oncologia, o que gera atraso na realização de exames.

“Constantemente temos que adiar cirurgias de grande complexidade no hospital, nos setores de Oncologia e de cirurgia de tórax, principalmente. Pacientes precisam esperar por três meses, no mínimo”, afirma o médico Giovanni Antonio Marsico.O DIA contatou o Ministério da Saúde e aguarda resposta aos questionamentos.

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