Coronavírus

Enquanto hospitais de campanha são desmontados, aumentam casos de internação por Covid-19 no RJ

No Hospital da Posse, pacientes relatam descaso com prevenção nas ruas: ‘Até no ônibus vi gente sem mascara’, disse Lúcia Borges. Foto: Estefan Radovicz

No jornal O Dia

Enquanto unidades de campanha são desmontadas, hospitais de Nova Iguaçu e Caxias registram novo crescimento de casos da doença, com lotação de UTIs

Ao mesmo tempo em que os hospitais de campanha de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, estão sendo desmontados, os casos de internação por covid-19 vêm crescendo nessas cidades. No Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, havia 23 pacientes internados ontem. Há três semanas, eram 17, segundo dados da prefeitura. Já o Hospital São José, em Caxias, tinha ontem 68 pacientes com coronavírus: 32 deles intubados em CTI. Há cerca de um mês, a unidade estava com um total de 28 pacientes internados. Os dados são da direção do hospital.

“Realmente parece que chegamos a uma segunda onda da doença. Há cerca de 15 dias começamos a verificar aumento de internações. No momento, o perfil dos pacientes é de meia idade, na faixa entre 48 e 66 anos, a maioria com comorbidades”, explica Alexandre Dias, diretor-administrativo do Hospital São José.

Para ele, o fato de a maior parte dos internados ter doenças pré-existentes, como diabetes e hipertensão, indica que está havendo relaxamento, por parte da população, das medidas de isolamento social: “As pessoas que estavam se resguardando começaram a circular e a se infectar. Além disso, percebo em Caxias que, apesar do decreto de uso obrigatório de máscaras, muitos não estão respeitando”.

No Hospital da Posse, uma funcionária confirmou aumento de casos. “As internações estão subindo, sim. Isso eu posso afirmar com certeza. No sábado retrasado, havia um ou dois pacientes no contêiner. Hoje, tem 13”, disse a profissional, referindo-se à estrutura montada nos fundos do hospital para internação de pacientes com covid-19.

“O boato que corre é que, se os casos continuarem subindo, vão transformar a sala verde do hospital novamente em setor exclusivo para o tratamento de coronavírus”, disse outro profissional.

Enquanto isso, quem buscava o Hospital da Posse, ontem, demonstrava preocupação. “O pessoal relaxou geral. Até no ônibus já vi gente sem máscara. Pedi para a pessoa colocá-la, mas ela ignorou, assim como o motorista”, contou Lúcia Borges, de 50 anos, junto ao companheiro, que buscou atendimento devido a um braço quebrado.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), o Estado do Rio tem hoje mais de 900 leitos para internações por covid-19, com taxa de ocupação de 22% em enfermarias e 48% em UTIs. Se necessário, diz a pasta, a oferta será ampliada com o suporte operacional e de profissionais.

A SES informa que a atual estratégia prevê o aproveitamento de hospitais municipais e a contratação de leitos privados, se necessário. Ainda sobre as unidades de campanha, a SES informou que não há data para o início dos desmontes.

Ontem, a juíza Renata de Lima Machado Rocha, da 4ª Vara Cível de São Gonçalo, determinou que o governador Wilson Witzel e o secretário estadual de Saúde, Alex Bousquet, cumpram, em 48h, a ordem judicial de manter em operação o Hospital de Campanha de São Gonçalo, sob pena de multa diária pessoal.

Em Nova Iguaçu, a prefeitura divulgou que houve aumento de 25% nos casos de internação por covid-19 no Hospital da Posse, nos últimos sete dias. Mas negou que haja planos para internação de pacientes com covid-19 na sala verde. Já a Prefeitura de Caxias disse que não registrou aumento considerável de casos graves da doença, e que o Hospital São José, por ser unidade de referência para covid-19, recebe pacientes de outras unidades do estado. Segundo a prefeitura, o hospital tinha, às 18h de ontem, 57 pacientes internados: 33 em CTI e 11 em enfermaria.

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