Renais Crônicos e medicação

Pacientes renais do RJ descobrem pela internet problema em lote de remédios fornecido pela Rio Farmes

Screenshot_2020-07-22-14-48-10-1.pngRenais crônicos do RJ descobriram pelas redes sociais que mais de 25 mil ampolas de um remédio distribuído a eles pela Rio Farmes apresentaram problemas; o conselheiro estadual Everaldo do Nascimento foi um dos ouvidos pela reportagem do RJTV, 1ª edição. Assista.

No G1

Gilson Silva, presidente da Associação dos Renais e Transplantados do RJ, disse que um paciente que utiliza o medicamento Sucrofer, o sacarato de hidróxido de ferro, que repõe o ferro no organismo e ajuda a potencializar os efeitos da diálise, descobriu os defeitos.

“Os pacientes ficaram sabendo através de redes de pacientes. Algum paciente descobriu isso e falou pra outro paciente e veio pra gente. Nós começamos a buscar informações sobre isso e realmente existe um problema na qualidade do medicamento que foi relatado pela Claris em 26 de junho e o correto seria a Rio Farmes recolher essa medicação”, diz.

Pelo menos 48 lotes do Sucrofer, importados pela farmacêutica Claris, apresentaram problemas. Parte de um lote, o B5C0284, foi distribuído pela RioFarmes, que não avisou aos pacientes sobre os defeitos.

Um documento enviado pelo laboratório que produz o medicamento informa que o recolhimento voluntário do remédio Sucrofer começou no dia 18 de junho.

O laboratório deixa claro que cabe ao distribuidor informar a quem recebeu o medicamento sobre o processo de recolhimento, e viabilizar as medidas para que o prazo de devolução seja cumprido.

Além disso, solicita que o distribuidor faça contato com todos os clientes e que, caso algum tenha o lote em estoque, o distribuidor deve pedir a devolução imediata e entrar em contato com a farmacêutica que fará a coleta.

Em um e-mail enviado para um das clínicas de hemodiálise, a Rio Farmes afirma que o paciente deve ligar para o laboratório, e que não vai aceitar a devolução do remédio na farmácia.

Alexandre Lenin de Souza é um dos pacientes que faz tratamento renal no Rio de Janeiro, e não sabe como vai conseguir resolver a situação.

“O estado quer que a gente entre em contato com a indústria farmacêutica para fazer a troca dessa medicação, ou seja, transferindo esse problema pra nós, pacientes que fazem hemodiálise. O meu maior medo é que muitos pacientes nem sabem que essas medicações vem com problema”, diz.

O aposentado Everaldo Teodoro, paciente renal há 33 anos, também tenta resolver o problema.

“A gente já vai pra uma máquina fazer diálise três vezes por semana e agora ficar com um medicamento que não podemos comprar, que é um medicamento caro e é um direito nosso”, explica.

O que dizem os citados
A Secretaria Estadual de Saúde disse que o medicamento sacarato de hidróxido de ferro, fornecido pela distribuidora ExFarma e produzido pelo laboratório Claris, está sendo recolhido.

Além disso, informa que está negociando com a distribuidora para que a substituição da medicação aconteça em caráter de urgência. Também solicita às clínicas e pacientes que aguardem novas orientações dos procedimentos a serem adotados.