Debate ao vivo

Segunda live do CES-RJ traz os aspectos econômicos da pandemia, com o professor de economia da UFRJ Carlos Pinkusfeld

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Professor Carlos Pinkusfeld e Alexandre Vasilenskas

Dando sequência à série de transmissões com debates ao vivo sobre a pandemia do novo coronavírus, o Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro trouxe nesta última sexta-feira (26) o doutor em economia da New School for Social Research e professor do curso de Economia da UFRJ, Carlos Pinkusfeld, para falar sobre os aspectos econômicos da pandemia, com ênfase no caso brasileiro. A mediação do debate ficou por conta de Alexandre Vasilenskas, presidente do CES. Anteriormente, o CES havia transmitido o debate ‘Flexibilização da quarentena: é o momento?”, com Mario Roberto Dal Poz, médico e doutor em Saúde Pública da Fiocruz e Guilherme Werneck, Doutor em Saúde Pública e Epidemiológica pela universidade de Harvard.

Dentre os diversos temas econômicos elencados, Carlos traçou um paralelo entre o antes, o agora e o depois da situação da economia brasileira e mostrou que o Brasil já vinha de uma situação muito difícil, principalmente nos aspectos financeiros e monetários a partir de 2016, situação essa que foi agravada com a paralisação das atividades por conta do isolamento social, medida necessária – e única, no momento – para conter o avanço da Covid-19.

Um dos focos da sua detalhada apresentação foi o desemprego no país, que já vinha de uma precarização profunda a partir da aprovação da reforma trabalhista, medida proposta ainda no governo de Michel Temer, que prometia uma “retomada dos postos de trabalho”, mas que só fez com que a informalidade no mercado, ou os chamados subempregos sem carteira assinada, tivessem um salto astronômico, enquanto os empregos formais, além das perdas no poder aquisitivo, mantivessem estagnados. O professor Carlos mostrou que, após a chegada da pandemia no Brasil, essa parcela grande da população que ocupa postos de trabalho altamente rotativos e precários, foi a que mais sofreu com a inatividade econômica, já que, sem os direitos garantidos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), não conseguiu meios para se manter dignamente. Uma das consequências desse desamparo estatal, mostrou o professor, foi a não obediência às recomendações do isolamento social e o risco da contaminação pela doença.

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Trabalhadores informais foram os mais afetados pela pandemia (Imagem: apresentação Carlos Pinkusfeld)

Outro ponto importante destacado pelo professor foi o teto de gastos aprovado pelo Congresso Nacional, que impôs limites aos gastos sociais do governo federal, fato catastrófico para o país no que diz respeito à proteção social e aos investimentos necessários para impedir que a pobreza e o desemprego no Brasil ganhem contornos ainda mais dramáticos. Para a área da saúde, este limite de investimentos trouxe o colapso, pois o aumento da demanda por serviços não é acompanhada pela oferta. A pandemia do vírus só fez ilustrar essa diferença na prática, com o estado brasileiro e o Sistema Único de Saúde (SUS) encontrando enormes dificuldades para lidar com os casos e óbitos crescentes de Covid-19 no território nacional, não conseguindo efetuar o seu enfrentamento adequado.

A apresentação completa do professor Carlos Pinkusfeld foi transmitida na página oficial do Conselho Estadual de Saúde no Facebook e pode ser assistida também na CES-RJ TV, no YouTube.

Daniel Spirin Reynaldo/Ascom CES-RJ

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