Pandemia

Alemanha tem agravamento da epidemia após flexibilizar isolamento 

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Imagem: Reuters

Os primeiros sinais de agravamento da epidemia aparecem no momento em que a Alemanha inicia a flexibilização do isolamento social com a reabertura gradual de escolas e comércio

A taxa de contágio do novo coronavírus voltou a subir na Alemanha, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Robert Koch (RKI). A taxa que indica em média para quantas pessoas um infectado transmite o vírus estava em 0,9 nos últimos dias, mas passou para 1. O RKI alertou que a covid-19 tem potencial para voltar a se espalhar exponencialmente se esse índice estiver acima de 1. No momento, este índice significa que cada enfermo contamina outra pessoa. O governo alemão e os virologistas sempre destacaram a importância de ter um índice inferior a um.

Esta é a primeira vez que o índice atinge 1,0 desde meados de abril, quando registrou o menor ponto, 0,7. Mas desde então iniciou uma trajetória de crescimento progressivo. O presidente do RKI, Lothar Wieler, pediu que as medidas de distanciamento social sejam cumpridas e que a população evite sair de casa sem necessidade. “Nós não queremos que o número de casos volte a aumentar”, destacou. Ele ressaltou que a Alemanha teve sucesso no controle do avanço do contágio da covid-19 e que esse sucesso deve ser defendido.

Os primeiros sinais de agravamento da epidemia aparecem no momento em que a Alemanha inicia a flexibilização do isolamento social e depois que a chanceler Angela Merkel expressou preocupação com um retorno muito rápido à normalidade.

Além disso, a taxa de letalidade de casos da covid-19 continua aumentando. Atualmente o índice é de 3,8%, segundo o instituto, o que significa que permanece inferior aos países vizinhos. A Alemanha registrou nas últimas 24 horas 1.144 casos da covid-19, com o total chegando a 156.337. Mais 163 mortes em decorrência do novo coronavírus foram confirmadas, elevando o total de óbitos para 5.913.

Se a tendência de alta persistir, os números podem complicar os esforços das autoridades para um retorno progressivo à normalidade, enquanto aumenta a impaciência entre a opinião pública. O governo federal e as regiões alemãs têm a última palavra em temas de saúde e devem examinar na quinta-feira as próximas etapas do desconfinamento, antes do anúncio de uma decisão em 6 de maio. Os dados parecem confirmar o temor de Angela Merkel, que defende uma linha mais firme e expressou preocupação ante a tentação de queimar etapas na retomada das atividades. Mesmo com um índice de infecção a 1,1 “poderíamos chegar aos limites de nosso sistema de saúde em leitos de UTI até outubro”, advertiu Merkel recentemente.

“Com um índice em 1,2, alcançaríamos o limite em julho. E com 1,3, isto aconteceria em junho”, disse a chanceler. A Alemanha começou a flexibilizar progressivamente em 20 de abril as medidas de restrições contra a pandemia, com a reabertura de alguns estabelecimentos comerciais e das escolas.

*Com informações das agências AFP e Deutsche Welle

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