Crise da água

“Por enquanto está tranquilo”, diz Vigilância Sanitária sobre a crise da água no estado em Reunião Extraordinária do Conselho Estadual de Saúde

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“Por enquanto está tranquilo”, diz Vigilância Sanitária sobre a crise no abastecimento de água no estado em Reunião Extraordinária do Conselho Estadual de Saúde

Durante a Reunião Extraordinária do Conselho Estadual de Saúde realizada hoje (28), no auditório da Secretaria de Estado de Saúde, a crise da contaminação da água fornecida pela Companhia de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro – Cedae para a população da Região Metropolitana foi tema de discussão entre os conselheiros estaduais e técnicos da Superintendência de Vigilância Sanitária (SUVISA) e Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental (SVEA) da SES/RJ .

Demonstrando preocupação com os possíveis efeitos nocivos à saúde da população por conta da água com gosto e cheiro terrosos, os membros do CES-RJ ouviram os técnicos Drº Reinaldo Chaim e Adna Santos (SUVISA) que esclareceram algumas das dúvidas mais recorrentes entre os moradores de 21 municípios do Rio. Adna falou pela área técnica da SES e afirmou que até o momento não há registro de contaminação da água com elementos que possam causar doenças. As amostras de água coletadas pela SUVISA e as análises feitas não detectaram outras substâncias além da geosmina, substância liberada por uma alga que habita o leito do rio Guandu. Edna salientou que, embora a SUVISA e a SVEA estejam trabalhando em parceria com outros órgãos do estado, o Instituto Estadual do Meio Ambiente – Inea é o único responsável a dar pareceres e laudos oficiais a respeito da qualidade da água disponibilizada para o carioca. O objetivo da parceria, diz Adna, é elaborar uma nota técnica conjunta para dirimir quaisquer dúvidas a respeito do problema.

Aprofundando o tema da geosmina na água, Drº Chaim fez um detalhamento sobre as causas e os efeitos que levaram a água fornecida pela Cedae a chegar a este nível crítico. Segundo ele, o principal problema reside no fato do lançamento de esgoto in natura diretamente no leito do rio Guandu. A falta de tratamento dos resíduos despejados na água podem dar um panorama de como as crises no abastecimento podem ocasionar constantes diminuições da sua qualidade. Embora tenha enfatizado que a qualidade da água continua própria para consumo humano, o Drº Chaim fez uma ressalva: “o problema é que a alga que libera a geosmina vive graças a existência de materiais fecais” nos rios que abastecem a estação de tratamento do Guandu. Por outro lado, ressalta, os efeitos comuns mais conhecidos na população tenham sido apenas a ocorrência de náuseas. Indagado sobre possíveis complicações para os pacientes que fazem tratamento de hemodiálise, o Drº Chaim tratou de tranquilizar, dizendo que as clínicas têm totais condições estruturais para evitar qualquer tipo de contaminação da água. Ao final, disse que “por enquanto, está tranquilo”, se referindo às condições de potabilidade e consumo da água no estado.

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Drº Reinaldo Chaim

Ainda durante as apresentações dos técnicos da SUVISA, alguns conselheiros estaduais fizeram intervenções a fim de tirar dúvidas e aprofundar o tema.

O conselheiro Alexandre Vasilenskas afirmou que a demissão de cerca de 50 técnicos da Cedae, ocorrida no início do ano passado, pode ter contribuído decisivamente para crise que estamos vivendo hoje, já que os profissionais dispensados eram extremamente experientes e com longos anos de casa”.

A conselheira Sylvia Daflon disse que um dos objetivos da crise da água no Rio de Janeiro era a “privatização” da companhia estatal. Já o conselheiro Edson Munhoz afirmou que o “descaso com a poluição dos rios que abastecem a cidade vem de muitos anos e governos” e que “ninguém, até hoje completou as ligações tubulares com as estações de tratamento de esgotos localizadas em diversas áreas”.

A conselheira Francinete da Conceição e o conselheiro José augusto lembraram que a água, no estado do Rio, vem desde muito tempo adoecendo a população da Baixada Fluminense sem que isso despertasse a atenção das autoridades (Augusto sugeriu a realização de audiências públicas sobre os casos). Maria Celina, conselheira, afirmou que “onde se privatizou o serviço, nenhum benefício se realizou para o povo.

A conselheira Solange Belchior, concordando com as colocações dos colegas, sugeriu que o Conselho Estadual de Saúde realize uma grande plenária com todos os envolvidos para abordar o tema, em data próxima. Solange fez questão de relembrar que as conferências municipais de vigilância em saúde, há dois anos, já alertavam para a crise de contaminação dos rios e da água fornecida pelas companhias.

O Plenário do CES-RJ aprovou, por unanimidade, a realização de uma ampla plenária sobre a crise da água no estado.

Daniel Spirin Reynaldo/Ascom CES-RJ

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